Friday, December 16, 2011

Consórcio Itaú - Nunca mais

Tive um problema sério com o consórcio itaú e não recomendo a ninguém!

Apostila INSS 2011

Wednesday, December 06, 2006

nomotético.

Esgueirou-se conspicuamente habilidoso pela parede, contando com a distração devaniante dos dois homens. O que parecia ser mais velho bateu a porta, colocou as mãos nos bolsos e distanciou-se do carro; o que tinha uma feição abobada, permaneceu contando segundos como se fossem horas. Era a hora de agir.

Alentado, com a sapiência em estágio de alerta, Santiago passou por uma caçamba de lixo e não demorou para encontrar a porta dos fundos do bistrô. Parou em frente à porta e teve algumas lembranças perturbadoras sobre aquele lugar que, ao entrar, daria na cozinha onde perdeu a vontade e a esperança de viver em paz consigo mesmo.

Na última vez que foi ao bistrô, passou por uma traumática situação com sua ex-mulher. Ela, graduada em nutrição, sempre teve a inusitada mania de visitar as cozinhas de todos os restaurantes que freqüentava. Com intuito de observar o funcionamento, ordenamento e os métodos de higiene utilizados pelo recinto, ela se sentiu à vontade de fazer um pedido ao gerente do bistrô, já que eram freqüentadores há meses.

Após degustarem um magnífico café colonial da tarde, ela pediu, encarecidamente, ao gerente do bistrô para que lhe mostrasse a cozinha da casa. O gerente, homem sensato e agradável, não conseguiu negar o pedido a uma mulher grávida e que ainda tinha a gastronomia – de alguma forma – como atividade laboral. Na ocasião, ela encontrava-se no quinto mês de gravidez e, de vez em quando, sentia umas ânsias de refluxo, acompanhadas de uma vertigem atordoante.

Ela seguiu, ao lado do gerente, em direção à cozinha enquanto Santiago bebia o seu café e observava o bater das ondas do mar. Alguns minutos se passaram e um garçom veio até a mesa com uma voz afobada e os olhos esbugalhados, que pareciam saltar de seu rosto. Sua ex-mulher havia desmaiado e caído de um jeito que foi fatal para o pequeno tão esperado.

Correu até a cozinha, pegou o corpo de sua amada no colo e foi guiado para a saída dos fundos, onde o ar circulava mais fresco e pôde acomodá-la de uma forma mais confortável. Os funcionários discaram para o hospital, mas era tarde demais. O que poderia ser feito era ter calado a curiosidade mais uma vez como estava fazendo nas últimas idas ao bistrô.

Os pensamentos daquele dia vieram à tona quando Santiago adentrava sorrateiramente a cozinha e passava agachado entre as mesas com pratos e copos empilhados. Sentiu o cheiro de morango adocicado. Certamente era o recheio daquela torta antes da última xícara de café. Cruzou a cozinha sem ser notado e parou no lavabo, viu Miranda no canto esquerdo lendo alguma coisa que parecia ser uma carta e disfarçou lavando as mãos com sabão de erva-doce.
Apostila INSS 2011

consórcio itaú

Tuesday, November 28, 2006

temperança.

- Cansei de esperar...vou entrar! – disse o mouro. Impaciente e nem um pouco confortável com aquela situação. Ele parecia um gato enjaulado cercado de ratos magros e pouco astutos.

- Acalme-se, cara. Vamos esperar ele sair de lá. Ele merece um café da manhã decente. Nós teremos a nossa hora.

Queimava por dentro de tanta ansiedade. As gotas de suor desciam em um rapell imaginário pela sua face enrugada – não pela idade, mas pelas desventuras capciosas da vida. Os dedos tamborilavam um samba da velha guarda no volante e a luz traseira do Del Rey 86 dava indícios de um nervosismo insistente com as luzes do freio sendo emitidas como vaga-lumes excitados.

- Pare de pisar nos freios! Está chamando atenção demais e agindo feito um idiota. Eu vou até a banca de jornais ali na frente para tentar disfarçar; e você, fique aqui e me espere. – Disse Artigas enquanto saia do carro. Olhou ao redor e partiu em direção à banca.

A indolência de Artigas era plena e necessária. Aproveitava-se dela de uma forma positiva e inteligente – por mais que a sociedade fizesse questão de subjugá-lo como: mão de obra barata e escrava, Artigas possuía um potencial único que, devido à falta de possibilidades pós-escola, não pôde aproveitar. Fazia da paciência muito mais do que uma virtude budista seminal, tratava-a como uma peça chave em situações que demandavam uma espreita precisa e condicionada ao sucesso de qualquer tarefa ou objetivo.

O mouro não gostava dessa situação de subordinação. Ele era o chefe da situação e estava perdendo aos poucos o respeito que tinha. Ele era a experiência. Ademais, quem realizou o roubo dos correios, e do banco do centro com outros comparsas? E o que Artigas sabia de roubos, furtos ou qualquer operação ilegal? - Pro diabo com sua babaquice. - disse rangendo os dentes.

Esperou Artigas se afastar, observou-o de rabo de olho e pensou em fazer algo que o tirasse daquele cárcere precoce. Destrancou a porta e levou, calmamente, a mão esquerda à maçaneta interna. Exatamente no momento em que Santiago passava sorrateiro pelo beco que dava na porta dos fundos do bistrô.

Consórcio itaú

Wednesday, November 22, 2006

solidez.

Um garçom abriu-lhe a porta gentilmente e desejou um sonoro "bom dia", como fazia com todos os clientes que entravam. Miranda retribuiu com um ruído oco e embaraçado e dirigiu-se à mesa mais distante das janelas frontais. Não tinha ido ali para apreciar a rua, então, sentou-se em uma mesa na lateral direita do recinto, que tinha o mar todo a sua disposição para apreciar.

Não demorou muito até que uma mulher veio a sua mesa para anotar o seu pedido. Com garçonetes não tinha tanto problema assim. Conseguia responder de uma forma inteligível, porém, ainda, evitava o contato olhos nos olhos. Preferia fazer o pedido enquanto fingia que lia o menu com muita classe e leveza. Não gostava de parecer um imbecil abobado que nunca havia fitado uma mulher antes, por mais que achasse que todas fossem desprezíveis e traidoras.

Pediu um café duplo sem açúcar ou adoçante e um bolo de fubá que -segundo a garçonete - acabara de sair do forno. Espiou a mulher se retirar e lembrou de Ataulfo. Sempre que via um garçom ou garçonete lembrava de seu expressivo amigo Ataulfo. Sentia sua falta, talvez fosse a única pessoa - viva - que sentia falta em toda a sua vida. Há duas noites eles tiveram uma conversa decisiva que mudaria suas vidas para sempre.

Viu o mar, o bater das ondas, os intrépidos surfistas lançando-se ao mar com suas pranchas de poliuretano. Na areia, mais surfistas se preparavam para encarar aquele imenso azul e o sopro do mar. Passavam parafina em suas pranchas para firmarem melhor os seus pés. Desejou algo para que lhe firmasse melhor na vida, algo que o afastasse do medo a todo instante.

A garçonete trouxe seu petit déjeuner e Miranda bebeu, primeiramente, o café sem tempero, pensando meticulosamente no que poderia fazer para sair sem deixar rastros. Não agüentava mais essa perseguição. Se, por apenas uma vez, tivesse feito a coisa certa, nada disso teria acontecido. A traição é como a vingança, mas com uma pequena diferença. Neste, come-se fria a refeição; enquanto naquele, acrescenta-se veneno para saborear melhor o momento.

consórcio itaú

Monday, November 20, 2006

coincidência.

Santiago era provido de um notável senso de direção. Se a estrutura organizacional dos quarteirões fosse tradicional, ele poderia entrar em qualquer rua e sair exatamente onde planejou, mesmo que não conhecesse o lugar tão bem quanto imaginava. Deu a volta na praça, acompanhou a movimentação dos bandidos em direção ao ônibus e dobrou à esquerda.

A rua estava limpa então conseguiu emparelhar ao longe com o ônibus, que já contava com o motor aquecido pronto para partir, e viu a cabeça com cabelos encaracolados. – Aí está você! – Olhou no retrovisor e viu que o carro dos bandidos se aproximava vagarosamente. Engatou a primeira andou devagar e encostou o carro no ponto de táxi à frente.

Uma senhora se aproximou do táxi e Santiago apontou para frente indicando os táxis que estavam livres. Ainda observando o retrovisor viu que o ônibus partira, e alguns metros atrás o carro dos bandidos no encalço. Ficou imaginando o que estava para acontecer. Quanto dinheiro estaria envolvido, quem queria a morte do seu passageiro e por qual motivo? Indagações que não poderiam ser respondidas naquele momento, apenas se Santiago conseguisse chegar até Miranda antes dos bandidos.

Seguiu o carro dos bandidos em uma distância que considerou segura. Pegaram a marginal que cortava a cidade em direção à zona sul. Entrou em ruas, ruelas, parou muitas vezes para pegar passageiros e deixar outros. Não agüentava mais aquela rotina cheia de impedimentos, mas precisava estar atento a cada passageiro que descia do coletivo.

O ônibus encostou mais uma vez e dele, finalmente, desceu Miranda. Apressado e com o mesmo olhar preocupado da noite anterior, ele entrou velozmente dentro de um café que Santiago conhecia muito bem. Era o café onde ele e sua ex-mulher costumava se reunir com uns amigos que moravam em outro estado. Sempre levavam eles ali para ver o mar enquanto conversavam, bebiam um capuccino e comiam strudel.

Lembrou de uma história cômica que ocorreu na primeira vez que visitou o bistrô com sua ex-esposa. Riu pra si mesmo e viu que estava em vantagem. Jogava em casa...

consórcio itaú

Apostila INSS 2011

Friday, November 17, 2006

soçobrar.


Pegou o troco da mão esquerda do cobrador. Este, trajando uma camisa de manga comprida azul clara e calça social preta, olhou Miranda bem no centro de sua alma enquanto despejava as moedas do troco. Enquanto pegava o dinheiro, Miranda virou o rosto para a parte traseira do ônibus e ouviu polidamente um “bom dia”, o que o fez arrepiar dos pêlos da canela até o pescoço.

Sentou-se no último banco a fim de observar toda a movimentação, quem saia, quem entrava e quem permanecia no coletivo. Com as mãos entre os joelhos, Miranda olhava para todas as direções ao mesmo tempo enquanto exercia o ritual imprevisto de todas as vezes. Algumas gotas de suor já brotavam em sua testa, então, limpou-as com um lenço vermelho que carregava dentro do paletó.

Lá vinha ela novamente, a paranóia; síndrome do pânico; ou qualquer outra nomenclatura utilizada por entendidos - e desentendidos - da mente humana. Transpirava ofegante e o mundo gelava em uma estrutura glacial enevoada. Roçava as mãos em velocidades alternantes buscando uma calma que parecia vir do fogo paleolítico. A chama era a calma, aquecia o coração e mantinha sua mente no foco para o próximo ato.

Pensou na noite anterior, na carta de Armênia, no taxista que parecia ser “amigo demais” e das coisas que poderiam acontecer. – Se aquela maldita acha que eu vou assinar alguma coisa, ela está demasiadamente engana. Se depender de mim, ela vai continuar como e onde está. – balbuciava de olhos fechados, perdido em seu inconsciente.

Apostila INSS 2011

Afundou-se em pensamentos obscuros de postura ética duvidosa. Deixou a sombra nebulosa da maldade correr e esbarrar em sua práxis humanista incipiente e relevou qualquer ato solidário de amparo. Podia contar os grãos de areia da praia, que passava ao longe, de olhos fechados. Tirou tamanha confiança do outro lado do pólo. Aquele que ninguém acreditava que existisse.

Mal viu a jornada passar. Não soube se foram os vinte minutos tradicionais, ou trinta - por conta do trânsito - dentro daquela estrutura metálica movida a diesel. Mas o leve cheiro da maresia atentou-o e o fez levantar num salto inesperado - fazendo o jovem que estava ao lado se assustar com a ação repentina de Miranda - e tocou a sineta para descer e entrar, o mais rápido possível, no bistrô.

não acredito no consórcio Itaú

Wednesday, November 15, 2006

(des)encontros.

Chegaram por volta das seis e meia na praça em frente à casa de Miranda. Dentro do carro, eles liam um tablóide barato e observavam discretamente a movimentação ao redor. O bairro era simples, esteticamente suburbano, com pessoas indo trabalhar, ou comprar pão e leite na padaria. : - Se eu tivesse a grana que esse safado tem eu não moraria por aqui. – disse o mouro com desdém enquanto acompanhava o traseiro rebolante de uma mulata que passava graciosamente. – Pensando bem...

- Ele deve estar aqui para esconder algo. Há mais nessa história do que parece. – retrucou Artigas, com os olhos atentos na portaria do prédio de Miranda.

- Você não me contou o porquê do professor ter enlouquecido naquela época. – o mouro tinha um jeito debochado de perguntar, responder e de ficar em silêncio. Seu silêncio sempre transmitia algo, vadio ou rufião.

- Infeliz. Pelo que eu sei ele tinha casado há pouco tempo. A mulher dele também dava aula na escola em que eu estudava - muito gostosa por sinal. Pelo que dizem, ele pegou-a trepando com um aluno quando chegou mais cedo em casa. Ele apagou e acordou apenas no hospital. Depois disso o pobre ainda foi dar umas duas ou três aulas. Mas estava completamente doido. – Artigas tentava se referir a Miranda com um falso respeito, uma modéstia lúgubre e pouco convincente.

Esperaram mais alguns minutos. O mouro saiu do carro e encostou na lateral fingindo que lia o caderno dos esportes. Enquanto isso, Artigas pensava na lucratividade desse trabalho e de como ia fazer esse miserável assinar o maldito documento que tiraria ele de todos os problemas que estavam se acumulando.

- Ali ele! – disse Artigas enquanto o mouro arfava seu corpo velozmente pra dentro do carro. – Ele vai à padaria. Quando ele voltar, a gente segue o cara pra dentro do prédio.

- Na última vez, era pra ele ter ido na igreja e acendido uma vela pro pai. E, ao invés disso, o cretino desapareceu e só foi aparecer naquele restaurante. – disse o mouro. – Espera que vai dar tudo certo.

Miranda atravessou a praça pela grama e apressava o passo em direção à padaria. Olhou para ela e não se sentiu à vontade. Virou seu corpo para a esquerda e viu a fila do ônibus que levava à zona sul se movendo. Olhou ao redor preocupado e foi em direção à fila sem exitar.

– Filho da puta! Esse demente tá de sacanagem com a gente. - brandou o mouro enquanto trocava com Artigas e pegava a direção.

Apostila INSS 2011

O ônibus partiu. Artigas e o mouro prepararam-se para sair atrás. Deram um volta obrigatória para efetuar o retorno ao redor da praça e passaram em frente a um táxi de motor 2.0, cujo motorista arregalava os olhos e virava disfarçadamente a cabeça para não ser reconhecido pelos dois bandidos.

não acredito no consórcio Itaú